O Matemático

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Com uma construção de época perfeita e uma direção de arte sóbria, o filme O Matemático, de Thor Klein, nos arremessa para os anos 40, evocando a atmosfera de uma guerra à espreita das personagens, uma guerra que corrói o que há de humanidade antes de explodi-la. A razão entra no filme como um elemento sedutor e, aos poucos, sucumbe aos sentimentos mais prosaicos. Sabemos bem o que determinam as escolhas de Stan Ulam (Philippe Tlokinski), um talentoso matemático judeu polonês de 30 anos, que vive nos Estados Unidos.

A leveza com que Stan lida com a vida, no seu cotidiano, na relação com o irmão, na troca com seus amigos, na abordagem com as mulheres, num primeiro momento, deixa o espectador próximo e envolvido. Mas as coisas não são essa Paz toda, os interesses e necessidades do matemático mudam, denunciando um pouco de sua real condição. E é no Novo México, com a esposa grávida, que esse personagem começa sua incursão pelo sentido da sua vida, lugar em que seus cálculos até então não o haviam levado.

O protagonista, no exercício de calcular, aliado a outros cientistas, se vê em um projeto secreto, alimentado pela ideia de estar cuidando e protegendo sua família, colaborando na criação da bomba de hidrogênio e na criação do primeiro computador. O que isso representa para ele e para humanidade? Stan só vai percebendo aos poucos, muito mais aos poucos do que ele merecia.

O filme não nos mostra a guerra. É tudo muito contido e verbal, prestes a explodir. As explosões acontecem nas pessoas. As experiências científicas são uma guerra à parte. O que importa ali é a trajetória desse herói/vilão, dependendo do ponto de vista. Uma narrativa que racionaliza ao extremo a criação da bomba que acabou com duas cidades no Japão. A morte parece ser a única finalidade da guerra, mesmo quando é para acabar com ela. Te parece redundante isso?

Nessa reconstrução dos passos do matemático, que parece banalizar a morte de tantos, encontramos uma história de banalização da vida. Tudo no filme é produto da guerra – as necessidades, as faltas, os medos e mais guerra. Tudo no deserto de imagem e no silêncio de uma explosão.

Baseado em uma história real, o filme chegou dia 02/09 aos cinemas de São PauloRio de JaneiroNiteróiFlorianópolisVitóriaRecifeBrasíliaCuritibaSalvadorAraraquaraSão CarlosVotuporanga e Porto Alegre.